Olimpíadas de Tóquio: Medalhas foram produzidas com materiais de aparelhos eletrônicos

As medalhas dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio foram feitas  100% de metal recuperado de lixo eletrônico. Dispositivos como computadores e celulares foram reaproveitados para usar o bronze, prata e ouro que contém nos componentes das placas. Contudo, nesses equipamentos existe uma pequena quantidade de metal que fica nas placas-mãe, que nada mais é que uma peça que liga todos os itens dos aparelhos.

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Portanto, para fazer cerca de 5 mil medalhas os organizadores coletaram 78 toneladas de lixo eletrônico. Tudo isso porque em um aparelho a quantidade de metal é muito pequena. Veja como foram feitas as medalhas e como foi realizada a coleta para produzir 5 mil medalhas.

Como foi feito a coleta e a preparação

De acordo com engenheiros do IEEE (Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos), o processo de recuperação não é simples porque a placa de circuito impresso é feita de dióxido de silício e outros materiais. Então, existe uma técnica de transformá-lo em pó esmagando a placa. Em seguida, por decantação (método de separação de uma mistura heterogênea), o metal pode ser separado. Mas não é uma tarefa fácil.

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Após essa separação, os metais são levados ao forno para derretê-los para obter novos moldes e usos. Porém, antes disso, é necessário desmontar o equipamento eletrônico. E tudo é feito à mão, porque computadores, telefones celulares e outros dispositivos não têm designs padronizados.

Sobre as medalhas

As medalhas das Olimpíadas de Tóquio pesam meio quilo, mas existe uma variação entre elas. Veja:

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  • Ouro: Produzidas com 550 gramas de material de prata e apenas 6 gramas de ouro, tudo reciclado;
  • Prata: Feitas com 550 gramas de prata;
  • Bronze: Usam 450 gramas de material de bronze vermelho.

Agora, para a produção de 5 mil medalhas, a quantidade dos lixos eletrônicos foram:

  • Ouro: 32 quilos reciclados;
  • Prata: 500 quilos dos aparelhos;
  • Bronze:200 quilos extraídos.

Sobre a iniciativa

A iniciativa do jogo está em linha com a tendência de focar no lixo eletrônico. Por isso, diversos países fazem a utilização da mineração urbana. Para essas medalhas eles poderiam extrair de modo tradicional, mas para mostrar a conscientização mundial a gestão das olimpíadas teve o plano de mostrar para o público que é possível reutilizar para a próxima e, além disso tornar o mundo mais sustentável.

Segundo especialista do IEEE , essa ideia é chamada de economia circular. Esse conceito incentiva pessoas a reutilizar os seus eletrônicos que estão parados dentro de casa.

Sobre o lixo eletrônico no mundo e no Brasil

Recentemente, a ONU (Organização das Nações Unidas) disponibilizou um relatório que mostra que 53 milhões de lixo eletrônico foram gerados só no ano de 2019, equivalente ao aumento de 21% desde os últimos 5 anos. Neste relatório o que mais produz esse lixo é a Asia, chegando quase 24 milhões de toneladas. No entanto, na pesquisa da ONU mostra que o Brasil é ‘’líder’’ quando se trata de produção de lixo eletrônico na América Latina. 1,5 milhão de toneladas de lixos são gerados anualmente, dos quais apenas 3% são devidamente coletados.

Porém, foi protocolado um decreto em 2020 que o Brasil tem que bater uma meta de lixo eletrônico coletado ate 2025. Por isso, 400 cidades brasileiras fornecem esse serviço de coleta, em 2025 todas as cidades devem possuir um ponto especifico de descartes desses materiais. Portanto, a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletrônicos e Eletrodomésticos (Abree) possui uma página onde as pessoas podem encontrar o local de recebimento de lixo eletrônico mais próximo.

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